segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Como é grande o meu amor por você








Eu tenho tanto
Pra te falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você...

E não há nada
Prá comparar
Para poder
Te explicar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito...

Me desespero
A procurar
Alguma forma
De te falar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor
Por você...

Se preparando para partir

* minha querida depois de tomar um banho gostoso durante uma manhã saindo do seu quarto para ir tomar café. Regina,uma das cuidadoras, está ajudando-a a andar.

É muito difícil para mim começar a escrever esse post. Na verdade eu venho adiando por muito tempo. E ainda quero ser breve.
Ontem a minha mãe me disse que a minha avó estava indo embora,estava se despedindo. E por mais que eu saiba que é verdade e que a gente nasce para morrer, não consigo lidar com isso.
Os orientais lidam com a morte de uma forma tão tranquila e positiva! Eu vejo isso nos meus estudos budistas. É admirável. Li também OSHO , falando sobre a morte, dizendo que estamos vivendo e morrendo a cada instante. A própria respiração é um eterno viver e morrer. Quando inspiramos, vivemos.;ao expirar, morremos. As crianças quando nascem o que fazem?Inspiram. E os velhos quando morrem?Expiram. Respirar é um processo contínuo de vida e morte. Quando nascemos já começamos a morrer. Cada segundo que passa é um passo para perto da morte. E assim a vida segue, sendo inseparável da morte. Aí entram os aspectos espirituais que eu acredito e um tantão de outras coisas. Depois tentarei colar aqui um trecho de um texto de Osho que julgo ser interessante mas agora me falta tempo.
Eu só queria dizer aqui o quanto estou triste por ter ouvido o que minha mãe disse e,principalmente, por constatar a veracidade de suas palavras ao observar minha querida avó ficar cada dia mais fraquinha e ir deixando de andar.
Eu tento ,tento,tento mas não consigo imaginar que sua partida seria diferente de perder a metade de mim mesma.
Voinha, você é a pessoa que eu mais amo nessa vida,meu amor. E eu quero aproveitar os últimos anos ao teu lado. Muito.

Enfim, Carminha...


Na noite de natal ela estava bem indisposta. Mal queria sair da cama para confraternizar com a família. Por conta disso eu, meus tios e primos, fomos até o seu quarto entregar nossos presentes e o último foi o meu.
Ela já estava desconfiadíssima do que se tratava porque sempre que via o embrulho embaixo da árvore de natal me perguntava se era uma boneca e eu dizia que ela só saberia na noite de natal. Aí ela com aquele jeito todo sem-vergonha fazia uma cara de sapeca e dizia: - é uma boneca,né? Abra para eu saber...
Depois de longos dias de espera, finalmente, entreguei o seu presente e a ajudei a abri-lo.
Sim,era uma boneca e ela havia acertado. Nenhuma dúvida sobrara ao olhar os seus olhinhos brilhando como os de uma criança ao abrir o presente embrulhado num papel vermelho liso.
Era uma boneca !
O sorriso que ela deu valeu pela espera. Todos riram e ela apertou os lábios envergonhada,como quem dissesse que não estava virando criança.
Depois resolveu deitar-se com "Carminha", nome que escolhi para homenagear sua mãe querida.
Eu disse que era minha filha e,portanto, sua bisneta. Ela perguntou quem era o pai e brincou comigo. Disse,depois,que era minha mãe pequenina e a pôs para dormir.
Então me baixei para ficar na altura da cama e disse séria olhando fundo nos seus olhos: - agora você não pode mais se queixar que nunca ganhou uma boneca...
Ela sorriu e tentou dormir. Minutos depois me chamou dizendo que queria ir para a sala ficar com todos. E assim foi feito. Sorriu bastante ouvindo o barulho confuso de tantas vozes falando alto simultaneamente e provavelmente não entendia muita coisa mas ficou feliz em sentir seus filhos,marido e netos ao seu redor.
Feliz natal,minha querida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Pracinha,internato e boas estórias

* Colégio da Sagrada Família e Igreja de Casa Forte na época em que voinha estudou lá.


* a Igreja do bairro de Casa Forte e o colégio da Sagrada Família ao lado



*parte de uma das fachadas do Colégio da Sagrada Família, no bairro de Casa Forte. Logo ao lado direito da igrejinha ( e que não aparece na foto ) fica a igreja de Casa Forte, uma das mais tradicionais da cidade do Recife, coordenada pelo PE. Edvaldo ( muito querido pela paróquia )

*eu e voinha num momento de canibalismo na praça de Casa Forte

*voinha e sua irmã Janete ( comparsa na estória das cartas )




*ali logo atrás estão as duas igrejas e o colégio da Sagrada Família



Um dos lugares que ela mais gosta de ir para passearmos juntas é à praça de Casa Forte ( Recife,PE ). Lá nós sentamos para comer as empadas "santa massa" e depois caminhamos pelo primeiro jardim da praça ( projetado por Burle Max) , na altura da igreja de casa forte, que fica ao lado do colégio SAGRADA FAMÍLIA, onde ela estudou quando era pequena. Na verdade ela chegou até a ser interna do colégio que, na época, só tinha meninas.
Esse passeio sempre rende ótimas estórias!
Segundo seus relatos ela era uma aluna exemplar. Não por gostar de estudar porque nunca gostou mas por seu comportamento. Eu acredito! Voinha é muito calma e boazinha, sei que é verdade quando ela me diz que as freiras a adoravam e que ela não dava trabalho algum. Ao contrário da neta,claro ;)

O motivo para ser interna? Namorando voinho na época, aos 14 anos. Aí seus pais resolveram acabar com o namoro e a internaram lá. Pois é, olha eu aqui, neta dos dois, para provar que eles conseguiram driblar as intenções dos pais dela!

O mais engraçado era que as internas só podiam ir para casa um fim de semana por mês e se tivessem se comportado durante todo o tempo. Se eu tivesse sido interna e não tivesse sido expulsa provavelmente jamais teria o prazer de passar um fim de semana em casa ! ( risos )

Durante o tempo em que estava interna ela não recebia visitas do meu avô mas recebia cartas através de tia Janete e tia Julieta,minhas tias e irmãs dela, que usavam como desculpas o fato de precisarem conferir as medidas de voinha a fim de mandar fazer roupas na costureira. Aí levavam por debaixo de suas saias as cartas do meu avô e as respostas de minha avó.
Outro dia encontrei essas cartas e poesias em papéis bem amarelados e envelhecidos pelo tempo. A letra de voinho super difícil de entender mas me diverti com voinha traduzindo!
No internato a rotina era bem "interessante": tinha duas missas por dia, aprendiam latim e francÊs, dormiam em dormitórios imensos cheios de meninas, não podia ficar apenas duas moças a conversar pelos cantos ( era proíbido,assim como ainda o é em certos países do Oriente Médio ), o dia começava e terminava super cedo e as freiras supervisionavam tudo!
Ah, ela gosta de contar a história de uma freira que engravidou do jardineiro ! hahaha!
Pois, são muitas as histórias da época do internato.

No fim das contas, vendo que não teve jeito, seus pais a levaram para morar no interior. O resultado foi esse: ela casou com voinho de todo o jeito. Ele foi o único e primeiro namorado dela e tiveram cinco filhos e doze netos.

Outro dia eu a levei para visitarmos as freiras e o colégio e ,pasmem, tinha trÊs freiras de sua época ainda vivas a contar as histórias do internato. Ah, elas confirmaram que voinha era muito bem comportada;)





quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Gabriel e o graveto







Ontem a tarde levei o meu amor à dermatologista por conta de um susto com relação a uma bolha no braço mas que não era nada para se preocupar,ainda bem. Aí depois, quando voltamos, ela quis caminhar embaixo do prédio para sentir o ventinho no rosto e ver o movimento.

Descemos eu, ela e Bina ( a cuidadora predileta ). Ela calçou um sapatinho lindo que mainha deu de presente ( mas eu que escolhi) e é super confortável.
As crianças se aproximaram e ficaram fazendo perguntas a ela. Teve um , chamado Gabriel, uma peste o menino, que pegou um graveto no chão e enfiou no braço dela perguntando se estava doendo! A bichinha dizendo que não e ele enfiando mais e mais o graveto. Oras, merecia umas palmadas ! Mas logo ele parou e também sei que não fez por mal,tadinho. Tinha no máximo seis anos, deve ter sido por pura curiosidade.

O bom é que depois ela ficou a rir. E gostou de ver a criançada brincar e correr para lá e para cá. Minha querida é realmente um anjo bom e lindo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A estória da boneca







Nesse natal eu vou presenteá-la com uma boneca.
Ela detesta ser feita de "lesa", como diz sempre,mas nesse caso não será.Mesmo ganhando uma boneca.
É que ela me disse uma vez ( não faz muito tempo ) que nunca ,em toda sua vida ,ganhou uma boneca de alguém. E sempre quis.
Nada mais justo que dar ao amor de minha vida ( mesmo que fora da idade ) uma boneca linda para fazê-la feliz. Não quero mais que ela repita que nunca ganhou uma boneca na vida.
Essa das fotos é minha e foi ela quem me deu quando eu fiz cinco anos! Ainda me lembro do dia e da felicidade ao abrir o presente. Foi a única boneca que guardei até hoje e jamais vou me desfazer dela.
O vestidinho que está vestindo foi o meu primeiro vestido,que saí da maternidade. Adivinha quem fez ele para mim?!
;)



Mais soninho e cara feia pra neta fotógrafa


Essas fotos eu fiz ontem,enquanto ela nanava na sua cadeirinha,mais uma vez.
Depois de tantos cliques ela acordou,claro. E não gostou muito de ter sido acordada! ( risos )
Olhem a cara dela assim que é acordada pela neta apaixonada!
Mas nada que uns beijos não tenham resolvido e logo ela voltou à dormir tranquila e linda.