

Na noite de natal ela estava bem indisposta. Mal queria sair da cama para confraternizar com a família. Por conta disso eu, meus tios e primos, fomos até o seu quarto entregar nossos presentes e o último foi o meu.
Ela já estava desconfiadíssima do que se tratava porque sempre que via o embrulho embaixo da árvore de natal me perguntava se era uma boneca e eu dizia que ela só saberia na noite de natal. Aí ela com aquele jeito todo sem-vergonha fazia uma cara de sapeca e dizia: - é uma boneca,né? Abra para eu saber...
Depois de longos dias de espera, finalmente, entreguei o seu presente e a ajudei a abri-lo.
Sim,era uma boneca e ela havia acertado. Nenhuma dúvida sobrara ao olhar os seus olhinhos brilhando como os de uma criança ao abrir o presente embrulhado num papel vermelho liso.
Era uma boneca !
O sorriso que ela deu valeu pela espera. Todos riram e ela apertou os lábios envergonhada,como quem dissesse que não estava virando criança.
Depois resolveu deitar-se com "Carminha", nome que escolhi para homenagear sua mãe querida.
Eu disse que era minha filha e,portanto, sua bisneta. Ela perguntou quem era o pai e brincou comigo. Disse,depois,que era minha mãe pequenina e a pôs para dormir.
Então me baixei para ficar na altura da cama e disse séria olhando fundo nos seus olhos: - agora você não pode mais se queixar que nunca ganhou uma boneca...
Ela sorriu e tentou dormir. Minutos depois me chamou dizendo que queria ir para a sala ficar com todos. E assim foi feito. Sorriu bastante ouvindo o barulho confuso de tantas vozes falando alto simultaneamente e provavelmente não entendia muita coisa mas ficou feliz em sentir seus filhos,marido e netos ao seu redor.
Feliz natal,minha querida.

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